:: Aeroporto - Industrial de Petrolina um incentivo a exportação
 


(01/10/2002)

A cidade de Petrolina, a 720 quilômetros do Recife (PE), tem uma estrutura mais voltada para a exportação.
O Aeroporto Internacional de Petrolina, possui as maiores câmaras frigoríficas instaladas em aeroportos brasileiros e 3 quilômetros de pista, a terceira maior do Nordeste. Além disso, o aeroporto de Petrolina dispõe de 4,1 quilômetros quadrados e coloca a disposição na primeira etapa, 1,8 mil metros quadrados para instalação das indústrias, à margem da pista. Além disso, estão em fase de conclusão as obras para alfandegamento.

A intenção dos dirigentes do município, é atrair por exemplo, fabricantes de componentes eletrônicos. Empresas que produzem esse tipo de produto no Sudeste e revendem para o Nordeste podem passar a produzir na própria região. A expectativa é que o aeroporto industrial ajudará a região a se consolidar como pólo exportador.

O principal benefício para o município é a possibilidade de reduzir o custo do frete aéreo para a exportação de frutas e cadeias emergentes, como flores e peixes. Atualmente, a maioria das frutas são exportadas por via marítima porque o custo do frete aéreo é quase 300% mais caro. Os aviões chegam à cidade vazios para serem abastecidos e os produtores, praticamente, pagam pela ida e volta das aeronaves. Com a implantação do aeroporto - industrial, a prefeitura acredita que os aviões podem chegar carregados de mercadorias e voltar para os países de origem também carregados.

A pista de pouso, permite aos cargueiros embarcar com carga completa e asas cheias de combustível, evitando paradas intermediárias nos vôos internacionais. Para as empresas as vantagens proporcionadas pelo aeroporto-industrial são semelhantes às oferecidas pelas estações aduaneiras de interior (EADI´S). Como a circulação das mercadorias fica restrita a área do aeroporto, não há dupla incidência de impostos, no desembarque e na venda dos produtos. Com isso, as industrias obtém uma redução nos custos entre 30% e 40%. As empresas podem, inclusive, optar pela reexportação do produto ou a distribuição para o mercado nacional com uma incidência menor de carga tributária.

As medidas vêm de encontro do objetivo de transformar o aeroporto de Petrolina em instrumento logístico de competitividade para a economia do Estado de Pernambuco, pretendendo a reversão da ociosidade do aeroporto, no transporte de carga. Com isso, a previsão dos empresários da fruticultura irrigada é de que haja um incremento de até 50% na comercialização de frutas tropicais para fora do país.

Localizado no Vale do submédio São Francisco, o município de Petrolina, vem se consolidando como um dos principais pólos agroindustriais do país. É dali que saem mais de 85% das exportações nacionais de mangas e mais de 90% das exportações de uvas de mesa. A cidade serve, ainda, de ponto - base para os mais de 10 mil produtores localizados em todo o vale, que conta com cerca de 130 mil hectares de pomares. As exportações seguem principalmente para a América do Norte e Europa. O objetivo é enviar ao Japão cerca de 3 mil toneladas de mangas já nesse primeiro ano de trabalho junto aquele mercado. Há pelo menos 20 anos os produtores nacionais de frutas tentam entrar no disputado mercado do Japão.

A entrada no mercado japonês servirá para o ingresso das frutas pernambucanas em todo o mercado Asiático. A logística para atender a demanda japonesa será diferente da que atualmente é praticada. Hoje as exportações rumo à Europa e América do Norte seguem em containeres refrigerados, a bordo de navios cargueiros. Para alcançar o Japão todo o transporte terá que ser feito através do modal aéreo. O terminal aeroportuário é dotado de pista, que permite pousos e decolagens das maiores aeronaves cargueiras em atividade no país, com o máximo de sua capacidade de carga. O aeroporto dispõe de seis câmaras frigoríficas com capacidade para estocar até 100 mil caixas de uvas, e de duas câmaras de pré-refrigeração.

Considerado pelo INFRAERO como o aeroporto de melhor condições para exportação de frutas, desde que foi construído há três anos, ao custo de R$ 10 milhões, nunca efetivou um único embarque de frutas pelo modal aéreo. As câmaras frigoríficas são arrendadas aos produtores locais para tentar recuperar o capital aplicado. Petrolina conta com localização privilegiada e toda a infra-estrutura para se transformar em um grande centro logístico e movimentação de cargas. Com certeza, o aeroporto internacional de Petrolina, ganha novo status e deve ampliar negócios.

MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.


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