:: Tecnologia na Logística Agrícola Nordestina
 


(31/10/2002)

Graças à tecnologias de ponta, que melhoram o solo e a qualidade dos rebanhos e reduzem ao mínimo o efeito de pragas e variações climáticas, novas fronteiras agrícolas vêm despontando em todas as regiões dos Estados nordestinos.
As frutas e café Vale do São Francisco, na Bahia e em Pernambuco, fruticultura no projeto Várzeas do Souza, na Paraíba, Vale do Açu no Rio Grande do Norte, produção de soja no Maranhão e os agropolos cearenses com frutas e flores, são grandes empreendimentos. São produtos de novos tempos, nos quais irrigação, fertilizantes de última geração, resultam em cada vez mais super-safras e recordes de produtividade. Apesar desses indicadores, a instalação de packing house (responsável pelos processos de lavagem, polimento, classificação e resfriamento das frutas em câmaras frias) são de uso próprio, praticamente inexistindo galpões prestadores deste serviço. Os poucos existentes são privados. O papel do Paking é de adaptar o produto às necessidades do exigente cliente externo. Um dos maiores e mais importantes investimentos privados na logística de exportação de frutas no porto de Natal, é o armazém frigorífico projetado pela J. Lauritzen do Brasil Ltda, um empreendimento de US$ 2 milhões. Com a crescente demanda internacional por frutas nobres, que necessitam refrigeração desde a colheita, os produtores potiguares ficavam na dependência de transportar as frutas diretamente para os navios. Com o frigorífico, inaugurado em outubro de 2000, o processo de exportação pode ser melhor planejado e ter um custo reduzido. A redução do custo operacional no porto da ordem de 25%, beneficia o exportador. O frigorífico Frio Grande do Norte tem capacidade para armazenar 2 mil toneladas de frutas em seis câmaras independentes, sendo quatro com capacidade para 250 toneladas e duas para 500 toneladas. A separação das frutas é necessária para que não haja interferência no processo de maturação e para que cada produto fique na temperatura ideal. Além disto o frigorífico possui duas antecâmaras resfriadas para a recepção e expedição de frutas e dois túneis de pré-resfriamento com capacidade para 80 toneladas a cada seis horas. Estes túneis são para atender os pequenos produtores que não têm condições de resfriar as frutas na própria fazenda. Os túneis baixam rapidamente a temperatura das frutas evitando sua maturação precoce. Depois elas são armazenadas no frigorífico. O suporte logístico no Nordeste é considerado de bom tamanho, destacando-se o aeroporto de Petrolina, os portos para cabotagem e exportação, os sistemas ferroviário e rodoviário. O escoamento por via aérea pode ser feito através de Petrolina, que hoje conta com um aeroporto internacional capaz de operar aeronaves cargueiras de grande porte e estrutura adequada ao armazenamento e embarque de frutas para a Europa, América do Norte e Ásia. O suporte logístico atende com presteza os grandes centros consumidores e comerciais do Nordeste. A tecnologia da informação começa a ser aplicada. Permite a comunição direta e controle de veículos em trânsito, através do uso de satélites e da Internet, além de otimizar os processos logísticos, oferece outras possibilidades. Os softwares combinam dados que influenciam a produtividade, como velocidade e rotação, e alertam a transportadora de alguma irregularidade. O sistema controla qualquer comportamento anormal do veículo, desde de um desvio (cerca eletrônica) até uma maneira errada de condução. Esse monitoramento possibilita economizar combustível, aumentar a vida útil do veículo trazer segurança. O módulo de rastreamento requer o uso de vários componentes, determinados conforme a necessidade de cada cliente. Os principais são um comunicador (transmissor de dados da rede de satélites) via antena VHF com GPS, um processador inteligente para transmitir e receber dados, mensagens ou comandos, com capacidade de pensar e memória para suportar programação e um computador de bordo com recursos de monitoramento. O veículo recebe, um módulo central composto por um transceptor, para transmissão e recepção de dados via uma antena instalada na capota de veículo, com GPS incorporado, unidade de controle de comunicação e um terminal, instalado na cabine, que possibilita a troca de mensagens entre o motorista e o centro de controle da frota. O sistema melhora desempenho da cadeia de distribuição e transporte, juntando a tecnologia espacial aos recursos da Internet.

Modo geral, o GPS – Sistema de posicionamento global, inicialmente usado só pelo sistema de defesa norte-americano, é o ponto terminal de um sistema constituído por uma constelação de 26 satélites que orbitam a terra à altitude de 20 mil quilômetros emitindo sinais que são captados pelos mais diversos modelos, cuja precisão varia de 5 metros a 10 centímetros. O sistema vem prestando serviço na atividade agrária, tanto agrícola quanto fundiária, embasando a formação cadastral, essenciais à distribuição equivalente de terras,, ou contribuindo para que a justiça demarque as fronteiras da paz, decidindo milhares de casos possessórios que se acumulam nas Comarcas do país. Destaca-se a contribuição do GPS no controle fiscal/tributário e nos contratos agropecuários das casas bancárias, determinando as áreas exatas, que serão confirmadas por georeferenciamento (GIS), o qual tem no GPS instrumento que informa onde está localizado um certo ponto na face da terra. Tem como finalidade, levantar, determinar, a posição do lote mediante coordenadas geográficas referidas a um paralelo (Equador, ao Norte, ao Sul) e um meridiano (internacionalmente adotado o de Greenwich, Inglaterra, a Leste, a Oeste) e por isso, nas demarcações, o GPS não substitui o teodolito, quando as picadas são abertas para materializar extremar, os limites entreconfinantes. Novo sistema de monitoramento à distância, chega a fruticultura, facilitando controle do processo, integrando informações, sem aumento de custos. A logística da fruticultura vem experimentando rápidas transformações, devido às crescentes exportações registradas nos últimos anos. Uma das principais é a tendência de consolidação do porto do Mucuripe, em Fortaleza, como referência dos embarques do contêineres Reefers (refrigerados) da produção do Nordeste. Apenas os portos de Fortaleza e Suape em Pernambuco, possuem estrutura. O de Natal, responsável por 57,7% da carga embarcada, trabalha com navios refrigerados, em que os produtos são transportados em paletes para os porões da embarcação. Durante os primeiros quatro meses do ano, o Brasil exporta poucas frutas.

A necessidade de oferecer produção em larga escala para atingir margens maiores de negociação com as distribuidoras e oferecer preços mais competitivos no mercado externo, aproximou duas das maiores exportadoras de melão do país: a Maísa, projeto Agroindustrial na Chapada do Apodi (RN), e a Nolen, com fazendas em Quixeré, a 217 quilômetros de Fortaleza, se associaram no transporte e embarque das frutas para a Europa e Estados Unidos. Juntas, devem exportar 3 milhões de caixas de melão na safra 2001/2002. Para agregar valor aos seus produtos, ambas inauguraram na fruticultura para exportação o monitoramento a distância de todos os processos de produção, desde o plantio até a entrega aos distribuidores. A Mark Tecnologia estréia a na Safra 2001/2002 das duas indústrias de agronegócios o sistema de rastreamento de frutas. Utilizando a técnica dos códigos de barras, o importador será informado sobre a qualidade da fruta, a semana da colheita, variedade, tamanho, clima a que foi submetida, posição no contêiner e prazo de entrega. Gera também um relatório eletrônico informando o navio em que está sendo transportada, o importador, o exportador, porto de destino quantidade de caixas, paletas com o seu número seqüencial. A informação fica disponível, em tempo real, tanto para o fornecedor quanto para o comprador. O desenvolvimento da tecnologia específica para a logística da fruticultura exigiu 12 meses de pesquisa e mais 1 ano de desenvolvimento dos produtos. Na busca de não trazer mais um custo à exportação, substituiu-se o selo de marca pelo Código de barras. O detalhe nessa busca, foi encontrar um adesivo que não presentasse nenhum tipo de resina tóxica, por estar em contato direto com a fruta, sem aumento de custo para as empresas entre as vantagens dessa modalidade destaca-se a eliminação do erro no controle de paletes embarcados, tanto durante as operações portuárias quanto no manuseio na distribuição até os supermercados. O processo integra informações para os produtores, as companhias de navegação, despachantes aduaneiros e compradores, com emissão automática do relatório de embarque por cliente e possibilidade de acompanhar a localização dos paletes dentro do navio.

Com relação à embalagem, a maneira de adicionar as frutas pode ser decisiva na hora de exportar. A Rigesa do Nordeste, fabricando de embalagens de papel ondulado para exportação e que detém cerca de 65% do mercado de embalagens na região, quer otimizar a produção da unidade de Pacajus, a 52 quilômetros de Fortaleza. A empresa tem capacidade para produzir 6 mil toneladas/mês de embalagens personalizadas para indústrias e fazendas da Bahia ao Maranhão. O produto considerado nobre pela empresa é o Plaform, embalagem reciclável cujo insumo principal é a fibra virgem de Pinus, extraída de uma fazenda de propriedade da empresa com 50 mil hectares, emas Santa Catarina. Essa embalagem, que pode ser desenvolvida em vários tamanhos e em até quatro cores, é considerada ideal para o transporte e acondicionamento de frutas como melão, manga, uva, abacaxi, caju e coco. Maior resistência, otimização na logística e formato que permite auto-empilhamento são outros benefícios do produto, também desenvolve caixa com capacidade para armazenar entre 200 e mil litros de suco de frutas a produtores paulistas. A empresa também oferece serviço com máquinas para a montagem das caixas.

Além da fruticultura, desenvolve embalagens para outros segmentos como alimentos, legumes, flores, calçados, têxtil, químico, além de água e bebidas , farmacêutico , eletroeletrônico, limpeza e higiene. A Joongbo Química do Brasil, fabricante cearense de produtos de polioetileno de baixa densidade expendido e com participação de 50% desse mercado no país, tem capacidade de produção de 450 toneladas. A empresa desenvolve dois tipos de embalagens para a fruticultura, além de flores e legumes, rede reciclável e atóxica para revestir e proteger a mercadoria de impactos e folha de polietileno expandido (espécie de espuma) para forrar o contentor (caixa). Qualquer detalhe na fruta pode descartar o produto no mercado internacional, principalmente as mais sensíveis. A função básica da embalagem é manter as características físico-químicas e seu formato, além de proteger e facilitar o transporte. A contenção sob medida e facilidade da exposição dos produtos também estão entre os benefícios. No caso de exportação, os produtos precisam seguir normas e especificações de cada país. Após embalado o produto é consumido entre 30 e 60 dias, mas a durabilidade varia conforme o tipo, manuseio, uso de conservantes e armazenamento. Para os perecíveis, o período varia entre um e sete dias. Calcula-se que os prejuízos com manuseio inadequado de frutas no Brasil somem R$ 5 bilhões. A fruticultura no Nordeste deve dobrar sua produção nos próximo dois anos, devendo atingir produção acima de 2 milhões de toneladas. Desta maneira, a tecnologia na logística agrícola nordestina, tem um campo altamente interessante, para se desenvolver. As oportunidades para criatividade e negócios estarão sempre presentes.

MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.


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