:: PERNAMBUCO - BONS VENTOS NA CABOTAGEM BRASILEIRA

(11/01/2010)
 




O transporte marítimo sempre teve um importante papel na história da economia brasileira. No início em face as grandes distâncias territoriais do Brasil via terrestre, posteriormente em função da relevância com que as relações comerciais entre os Estados da Federação, especialmente do Sul para o Nordeste e do Nordeste para o Norte. Essa ampliação proporcionou uma maior credibilidade do setor,influenciada pela situação caótica das estradas. Tudo isso contribui para que o cliente esteja preferindo o sistema marítimo.A preferência pela cabotagem ocorre,entre outras coisas,porque ela apresenta uma grande economia quando se trata de distância acima de 1.000 km, chegando a reduzir consideravelmente,dependendo do produto,da origem destino final. São 7.367 km de costa, apresentando uma boa distribuição de unidades portuárias e fluxos significativos de carga.Como ponto positivo, os grandes centros industriais e comerciais localizam-se numa estreita faixa litorânea, tornando-se um excelente mercado. O transporte por cabotagem, faz com que a distância percorrida pelo fluxo de cargas transversal à costa seja reduzido. A demanda pela navegação de cabotagem, é muito maior do que a oferta. A navegação costeira vem sendo utilizada de forma insignificante no transporte de carga geral, mesmo existindo um grande fluxo dessas cargas a médias e longas distâncias e para a qual esse modal é mais competitivo.

A frota nacional é de apenas 15 navios, quase a metade do que havia há meio século, quando o volume de carga e de passageiros era muito menor. Quem ganha com a situação são os armadores, que operam livremente, com baixa concorrência, cobrando altas tarifas pelos os fretes. Hoje, a legislação proíbe que os navios estrangeiros naveguem entre portos nacionais atendendo usuários. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), advoga que o maior desafio, é flexibilizar a reserva de mercado dos armadores nacionais no transporte de mercadorias por cabotagem.

A frota nacional movimenta hoje, 5,2 milhões de toneladas de peso bruto ( TPB ), indicador que representa a carga mais o casco do navio. Na década de 80, esse indicador era de 11,5 milhões de TPB. As embarcações nacionais a serviço da cabotagem, tem idade média de 18 anos, seja pela falta de conservação ou por estarem tecnologicamente atrasados. A vida útil de 25 anos para uma embarcação.

Outro entrave, é o excesso de burocracia, demora no processo de atracação, falta de canal privilegiado de acesso ao porto,a atividade dos portos brasileiros, custo e o tempo de movimentação muito distantes dos padrões internacionais. A baixa produtividade, está diretamente ligada ao excesso de mão-de-obra, resultado da forte atuação do sindicatos de estivadores. O excesso de mão-de-obra gera sobre-custo e desestímulo à automatização . Além disso, congestionamentos de caminhões para carga e descarga, a falta de recursos em equipamentos de movimentação nos portos,bem como dificuldades para a construção de novos navios, atrasam à evolução da navegação por cabotagem.

Mesmo com tantas dificuldades, acredito em vantagens para um retorno forte a situação do período entre os anos de 1950 e 1975, onde a cabotagem foi o principal meio de transporte de carga para longas distâncias no Brasil.

 






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