(17/06/2002)
Nos Países em vias de desenvolvimento, as grandes cidades têm
uma expansão de aproximadamente 11% ao ano. Ao mesmo tempo em
que a necessidade de produtos aumenta, tornam-se maiores as distâncias
até às zonas agrícolas.
Tal fato faz por sua vez com que os meios de transporte, equipamento
de refrigeração, embalagens e outros recursos necessários
à distribuição, acompanha o avanço tecnológico.
O caminho até ao consumidor é cada vez mais longo, à
medida que as cidades vão expandindo. Não somente pelo
aumento da população e da urbanização mas,
pela centralização da produção industrial.
As industrias de alimento, que há vinte anos se podiam contar
às centenas em cada setor, somam agora apenas de umas dezenas.
Os ganhos obtidos com a racionalização dos processos no
plantio e na indústria correm o risco de serem absorvidos pelos
prejuízos da distribuição.Para que a distribuição
se possa racionalizar em grau correspondente, mantendo a qualidade dos
alimentos durante o transporte e armazenagem, exigem-se sistemas racionais
de empacotamento, bem como, embalagens que evitem a deteriorização
dos produtos. Mesmo com os cuidados exigidos, durante a distribuição
e estocagem as alterações químicas e bacteriológicas
continuam a ocorrer nos alimentos frescos, o que faz diminuir ainda
mais o valor nutritivo e a qualidade dos mesmos.
Nos países em vias de desenvolvimento onde as redes de distribuição
são deficientes, a falta de higiene e refrigeração
originam nos produtos alimentares prejuízos de toda a monta.
A transparência em grande escala de produtos agropecuários
para as cidades dá-se através dos meios de transporte
dos próprios produtores de maneira deficiente.
Torna-se evidente que também nesta fase se necessita de uma tecnologia
que torne possível a transformação de produtos
frescos em "produtos frescos de longa duração".
Quanto mais sensível for o produto mais próximo da cidade
deverá ser produzido ou transportado de forma correta.
As bebidas frescas como o leite, sumo e outros alimentos líquidos,
podem ser transportados a longas distâncias graças ao tratamento
UHT e ao enchimento asséptico.
A maior parte da produção de legumes frescos tem lugar
perto das cidades, excluindo a distribuição considerada
de luxo, como por exemplo, de avião, das regiões do Sul-Sudeste
para o Norte-Nordeste.
Os preços dos legumes aumentam com frete durante o percurso entre
o produtor e o consumidor, apesar de não serem produtos beneficiados.
A causa principal parece ser a urbanização que torna a
proximidade do consumidor uma concepção altamente relativa.
De qualquer modo, o percurso torna-se sempre demasiado longo para produtos
como os vegetais fáceis de deteriorar. A distribuição
de alimentos sofisticados no mundo ocidental é muitas vezes evidenciada
pelo fato de absorver uma parte exagerada do preço global do
produto.
O fornecimento normal dos produtos quotidiano também exige custos
igualmente elevados para a produção, armazenagem e distribuição.
As embalagens dos produtos quotidianos constituem na maioria das vezes
uma parcela positiva nos cálculos, uma vez que evitam perdas
devido à degeneração da qualidade dos alimentos,
e diminuem as despesas de manipulação durante a distribuição.
Os cuidados constituem muitas vezes uma condição para
que em especial certos alimentos sensíveis cheguem em bom estado
a mesa do consumidor.
MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.
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