:: PERNAMBUCO - O GESSO PEDE PASSAGEM

(11/01/2010)
 




O pólo gesseiro do Araripe, no Sertão de Pernambuco, formado pelos municípios de Araripina, Trindade, Ipubi, Ouricuri e Bodocó, é responsável por cerca de 95% da produção de gesso e gipsita do país. Na região, 654 empresas geram 12 mil empregos diretos e 60 mil indiretos, produzindo anualmente 1,3 milhão de toneladas de gesso.A região conta com reserva medida de 228 milhões de toneladas de gipsita e estimada em mais de 1,22 bilhão de toneladas.

Devido aos custos reduzidos de frete, toda a produção deveria estar sendo escoada por transporte ferroviário. Mas, pela falta de ferrovias, as cargas do setor são movimentadas através de rodovias. O alto preço do modal rodoviário faz com que o pólo seja competitivo apenas no Brasil. Mas, as apostas na polêmica Transnordestina, continuam em alta. O empreendimento, vai permitir a interligação dos portos de Suape e Pécem por vias férreas.Dessa maneira, os custos com transporte serão reduzidos em até 60%, possibilitando exportar pelos portos volumes maiores de placas e outros produtos com maior valor agregado. Além disso, possibilitará a criação do corredor multimodal do Rio São Francisco que, para a sua efetivação, deverá primeiro ter o seu estuário recuperado, com relação ao assoramento e sinalização ribeirinha permitindo utilização plena do rio quanto a navegabilidade. Com a viabilização da Hidrovia do São Francisco, abrirá novos mercados, como o representado pela fronteira agrícola do Oeste da Bahia, que tem potencial de consumo para até 40 mil toneladas de gesso agrícola. Assim, os municípios de Petrolina e Juazeiro irão se constituir em grandes centros de distribuição do país, ao consolidar as duas cidades como um dos principais eixos logísticos entre o Nordeste e Norte.

Saindo do projeto para a efetivação desses investimentos estruturais, permitirá condições de competitividade no mercado nacional e até nos maiores mercados mundiais. Contando com a ferrovia logo no primeiro ano, terá um crescimento da ordem de 25 % a 30 % na produção. A venda para o mercado internacional poderá ser consolidado, através da logística de exportação mais barata. Hoje é preciso um esforço enorme para concretizar uma exportação de gesso ou da gipsita. O valor de US$ 25 por tonelada dificulta as negociações. Essa dificuldade se apresenta, devido o percurso da carga do pólo até o porto de Mucuripe, no Ceará. O longo caminho é feito por rodovia até o Crato, e a partir daí, de trem até Fortaleza. Mas, na maioria dos casos, as exportações são feitas pelo porto de Suape. Quando o destino é a África, a melhor alternativa é o porto de Salvador.Com a Transnordestina viabilizada, o trecho de 600 km entre Salgueiro e Recife , mais a Ferrovia do Gesso, com 80 km , entre os municípios de Araripina e Parnamirim,trecho este bancado pelo Estado de Pernambuco, o preço de exportação por Suape deve cair para o valor de US$ 12 a US$ 15 por tonelada, Como a malha da Transnordestina se encontra em construção, apenas 1,5 % da atual produção é exportada.A expectativa é que a metade da produção seja destinada para o mercado interno e a outra metade para o mercado externo. Hoje, 55 % para o Sudeste, 20 % para o Sul e 25 % para o Nordeste, Centro-oeste e Norte.

No pólo do Araripe, as mudanças estão acontecendo para o melhor. Outras mudanças virão, como a diversificação da matriz energética,diminuição da queima da madeira e reflorestamento, fabricação de produtos de maior valor agregado ( placas e blocos de gesso, casas populares de gesso ). A qualificação do profissional do mais graduado ao estudante, faz com que o futuro seja cada vez mais promissor, fazendo o pólo gesseiro crescer forte.

 






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