:: HIDROVIA: pouca navegação, pouco tudo

(30/06/2009)
 

Artigo publicado na Revista Cais do Porto.


A partir de certa distância, o transporte por hidrovia é mais barato do que o ferroviário, muitas vezes mais econômico que o transporte por rodovia. Nenhum especialista em logística colocaria em dúvida isso.

De fato, a possibilidade é ampla: o Brasil dispõe de cerca de 45 mil quilômetros de rios navegáveis. Desses, 42.827km são economicamente viáveis, mas somente 8.500km de hidrovias do interior são utilizados para o transporte de cargas. Atualmente, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT, são transportados, via fl uvial, cerca de 23 milhões de toneladas por ano, sendo 6.200.000 t/a de minérios e 3.900.000 t/a de grãos.

O que nos falta é defi nir investimentos que possam colocar em prática a viabilidade econômica de utilização. A viabilidade técnica também já foi defi nida em muitos países europeus e na América do Norte, ou até mesmo, em menor escala, em alguns rios brasileiros (São Francisco, Amazonas, Bacia do Prata). Em 1974, um estudo mais amplo de um consórcio franco-brasileiro defi niu globalmente esta viabilidade técnica e apontou como resolver o problema principal. Tal investimento, entretanto, poderia ser compensado em parte pela possibilidade de aproveitamento dos rios em projetos conjugados com hidrelétricas e irrigação (uma hipótese), ou abastecimento de água e defesa contra inundações (segunda hipótese).

Não se torna difícil para os especialistas diagnosticarem os males da navegação interior brasileira.

Eles são conhecidos: embarcações obsoletas, falta de sinalizações ribeirinhas, defi ciências portuárias e pouca tradição do meio. Há uma vantagem adicional para o transporte hidroviário brasileiro. Praticamente todas as bacias fl uviais se comunicam entre elas pelas cabeceiras de seus rios, através de brejos e banhados, o que facilitaria a interligação. A bacia São Francisco, por exemplo, comunicase com a do Tocantins e a do Parnaíba através da Lagoa do Jalapão. Como resolver?

Evidentemente, numa época de globalização em que se colocam temas relevantes para o país, o transporte hidroviário volta a ganhar destaque. A questão está em encontrar os recursos necessários para ampliar as bacias navegáveis. Recursos esses vultosos, pois a construção de eclusas e canais de navegação exige altos investimentos e certo tempo. Em contrapartida, o planejamento da navegação interior por etapas e conjugado a outras obras permitiria maior aproveitamento e menor gasto. Em muitas regiões brasileiras desprovidas de rodovias e ferrovias, o transporte fl uvial é o único possível. As canoas, barcos e pequenos navios são elementos fundamentais para a vida e a economia da Amazônia. O transporte fl uvial desempenha um papel importante no país, entretanto, os resultados fi nanceiros estão muito aquém do seu potencial. É preciso mudar, vamos recuperar o tempo perdido e o pouco que foi feito pelos nossos rios.

 






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