(27/12/2003)
Com este título, o Jornal do Commercio de Pernambuco,
realizou um seminário no dia 24 de novembro de 2003, contando
com patrocínio do Governo do Estado,
Infraero, Confederação Nacional das Indústrias
( CNI ) e Federação das Indústrias
de Pernambuco.
O secretário de Infra - Estrutura do Estado, Fernando Dueire,
em sua palestra,disse:
"Pernambuco tem hoje a infra-estrutura necessária para se
tornar uma base logística de peso no Brasil, mas temos que perceber
que a infra-estrutura não é tudo".
Sua intenção foi de mostrar aos participantes um Pernambuco
diferente, credenciado a ocupar lugar de destaque no setor desde do
início da colonização,quando em 1647 a capitania
de Pernambuco, no período holandês foi escolhida como centro
de distribuição da Companhia das Índias Ocidentais,
considerada como a primeira multinacional da História.
A escolha histórica de Pernambuco, remonta da localização
geográfica privilegiada
do Estado, como porta de entrada e saída do Brasil.
Contudo,de nada adiantam as condições geográficas
favoráveis, sem a existência de infra-estrutura adequada
para o desenvolvimento da logística. Nesse enfoque o secre tário
enfatizou : "Nosso Estado passou muito tempo sem atualizar a infra-estrutura,
o que fez com que ele perdesse, ao longo dos últimos anos, posições
de destaque para outras capitais do Nordeste, mas quando veio atualizar,
o fez para valer", afirma o secretário Fernando Dueire.
Esse investimento vem sendo aplicado em obras importantes para o Estado
como :
a duplicação da BR-232 ,a reforma e ampliação
Aeroporto Internacional Recife/
Guararapes, retomada de obras de abastecimento de água e fornecimento
de energia elétrica que também dão suporte para
que a atividade logística se desenvolva.
Como analista da logística de Pernambuco, verifico entraves e
lentidões para solução de alguns problemas cruciais
para viabilizar a infra-estrutura do Estado.
Inicialmente, a saturação de um trecho de seis quilômetros
da BR-101 que
corta o município do Cabo de Santo Agostinho ( Região
Metropolitana do Recife ) está se tornan do um complicador aos
pólos industriais, destacando-se o núcleo de empresas
do Complexo de Suape,um dos maiores de Pernambuco. Um projeto para duplicação,foi
elaborado pelo Ministério dos Transportes no Governo FHC, orçado
em R$ 22 milhões e deveria ser executado no ano de 2003. Mas,
devido aos cortes no Orçamento da União esse ano, os planos
foram suspensos. O trecho, onde passam em média 38 mil veículos
por dia, ficou agravado após a duplicação da PE-60,
que leva as praias do litoral sul do Estado,onde se encontram produtos
turísticos como Porto de Galinhas.
O fluxo de automóveis aumentou a partir da expansão. Na
alta estação turística, chega a dobrar em relação
aos demais períodos do ano.
Através da ASSIMPRA-Associação das Empresas de
Prazeres e a ASSESUAPE-
Associação das Empresas de Suape e representantes da Rhodia-Ster,
Petroflex,
Terphane, Companhia Muller de Bebidas, de hotéis como o Blue
Tree Park e de
Transportadores de cargas. Na reunião,foi elaborado um documento,a
ser entregue ao ministro dos Transportes, Anderson Adauto.
As indústrias instaladas na área reclamam dos problemas
logísticos e a tendência é de que a situação
piore, principalmente para as fábricas em expansão
ou com planos de ampliação.
É o caso da Terphane, fabricante de filmes de poliéster.
A empresa está investindo R$ 280 milhões para elevar a
capacidade de 18 mil para
40 mil toneladas
por ano, projeto a ser concluído até o final de 2005.
Quando o projeto de ampliação
foi elaborado, a empresa contava com ampliação.
As rodovias de Pernambuco somam 2578 km federais ( incluindo com destaque
a BR-232 ) e 5030 km estaduais, com trechos que precisam urgentemente
de melhorias.
Outro problema grave,é da saída do papel o projeto mais
importante da malha ferroviária regional : a Ferrovia Transnordestina.
O empreendimento, projetado inicialmente no século XIX, vai permitir
a ligação dos
portos de Suape e Pecém por estradas de ferro. Possibilitará
também transformar
Petrolina ( município a 700 km do Recife ) num dos maiores centros
de distribuição do país ,criando um corredor multimodal
do rio São Francisco, consolidando a cidade como um dos principais
eixos logísticos entre Nordeste e o Norte.
Através de estudos realizados pelos detentores da privatização
da Transnordestina,
A Companhia Ferroviária do Nordeste - CFN, estimam que a quantidade
a quantidade de carga atinja 1,8 milhão de toneladas em 2004,
caso a Transnordestina tivesse entrado em funcionamento em 2003, fato
que infelizmente não aconteceu. As simulações indicam
um volume de 2,2 milhões de toneladas em 2007; 2,5 milhões
em 2012; 3,1 milhões em 2017 e 4,4 milhões em 2022. Essas
projeções consideram apenas a demanda de frutas,cimento,
granéis, soja,
milho e sal.
A conta teria de ser revista para 3,8 milhões de toneladas em
2004 ser for incluído aquele que será o primeiro lugar
entre os produtos movimentados: o gesso do pólo de Araripina,a
600 km do Recife.
Na região, 318 empresas produzem 2 milhões de toneladas
por ano, faturam R$ 200 milhões e geram 12 mil empregos diretos
e 600 indiretos.
O SINDUGESSO-Sindicato das Indústrias do Gesso de Pernambuco
afirma que toda a produção deveria estar sendo escoada
por transporte ferroviário,devido aos custos reduzidos de frete.
O alto preço do modal rodoviário faz com que o pólo
seja competitivo apenas no Brasil. Mas, com a Transnordestina implantada,
poderá obter uma redução de custos logísticos
de 50 % , que permitirá condições de concorrer
junto aos maiores mercados mundiais. As vendas externas exigirão
um aumento de produção. Possibilitando a duplicação
dos níveis atuais, atingindo 4 milhões de toneladas por
ano, sendo transportadas pela ferrovia até o porto de Suape e
seguindo para seus destinos.
Quando as obras do Aeroporto Guararapes estiver totalmente concluída,
beneficiará não somente o terminal de passageiros e seu
intenso fluxo turístico, mas igualmente o transporte de cargas.A
pista , ampliada para 3,3 mil metros de extensão, já está
capacitada a receber qualquer tipo de aeronave cargueira em uso na aviação
comercial, inclusive o modelo de maior capacidade do mundo, o Jumbo
747-400.
Um novo armazém de cargas concluído, com área total
de 6125 metros quadrados,
com capacidade de abrigar 1168 toneladas por mês de mercadorias.
Até
setembro ,33,5 mil toneladas de carga foram movimentadas no aeroporto.
No volume de exportações , ficou em primeiro lugar no
Nordeste este ano, com mais de 3,7 mil toneladas deslocadas.
O município de Petrolina será o único do interior
do Norte e Nordeste a contar com uma zona de aeroporto - indústria.
Na ponta - oeste do Estado, a cidade de Petrolina é a maior exportadora
de frutas do País, estando situada exatamente no centro do Nordeste.
Constituindo-se no principal município do vale do São
Francisco terá em janeiro de 2004, novo terminal de passageiros
no Aeroporto Nilo de Sousa Coelho, incluído com uma zona de aeroporto-indústria.Possuirá
áreas livres para serem licitadas,permitindo instalação
de empresas que já atuam ou pretendem entrar no mercado de exportações.
Com isso, a previsão dos empresários da fruticultura irrigada
é de que haja um incremento de até 50 % na comercialização
de frutas tropicais para fora do País. Terá 6 câmaras
de armazenagem, cada uma com 94 metros quadrados e capacidade para guardar
quase 17 mil caixas de uva.O complexo, que está sendo ampliado,
contará com 2 câmaras de pré-refrigeração,
com capacidade para até 3 mil caixas de frutas no estoque. A
partir da modernização desse terminal de carga refrigerada,
será possível exportar grande parte da produção
de frutas produzidas no Vale do São Francisco para Europa e Estados
Unidos.
Na zona de aeroporto- indústria, as empresas interessadas vão
poder fabricar, montar e exportar outros produtos merecedores de uma
série de isenções como do ICMS, da contribuição
previdenciária e dos impostos de importação.No
ano de 2000, o aeroporto ganhou o primeiro terminal de cargas do Interior.
A pista de pouso e decolagem com 3250 metros de extensão, tem
capacidade para receber aviões de grande porte, inclusive cargueiros.
A implantação da zona aeroporto-industria, proporcionará
o incentivo ao comércio exterior brasileiro,beneficiado com a
queda do frete para exportar os produtos da região. As empresas
de eletroeletrônicos poderão montar seus equipamentos nas
unidades e distribuir para o Norte e Nordeste, utilizando matéria-prima
do exterior e mão de obra local, incentivando a vinda de aviões
para retorno com frutas.
Com a maior taxa de crescimento econômico do Nordeste, o município
de Petrolina, possuí 70 mil hectares irrigados, com capacidade
para atingir 200 mil hectares, tendo na agricultura a sua principal
atividade.
Quanto a hidrovia do São Francisco, emperra por falta de recursos
financeiros e sucateamento da frota de empurradores e chatas. Sempre
constando nos projetos governamentais, envolve investimentos públicos
e privados estimados em US$ 1,4 bilhão para a viabilização
de um corredor aquaviário de 1371 mil km e com movimentação
de carga prevista em 3 milhões de toneladas por ano.Os números
são monumentais, mas a realidade é bem diferente. Atualmente,
movimenta produtos numa média de apenas 50 mil toneladas por
ano.
Entre as promessas atuais para o local , está a transformação
da via navegável Pirapora-Petrolina / Juazeiro, conectando o
Nordeste ao Sudeste .
O investimento de R$ 10 milhões pode gerar substancial economia
no transporte de grãos do oeste da Bahia e do noroeste de Minas
Gerais para abastecer o Nordeste e exportação através
de Suape e Aratu.
O porto de Suape vem ampliando sua posição como a principal
base de exportações e importações para centenas
de empresas. Mas a sua vocação de concentrador de cargas
( hub port ) vai demorar a se consolidar. O principal desafio é
reduzir os custos operacionais, cujo o valor é elevado para padrões
internacionais.
Estando eqüidistante de Fortaleza, Salvador e Petrolina a 800 km
e a 4,5 milhas náuticas de portos como o de Nova Iorque ( EUA
), Roterdã ( Holanda ) e Durban ( África do Sul ) , sendo
este último ponto de passagem para a Ásia.
Possui uma boa infra-estrutura,como torre de controle de atracação
moderna e grande calado ( 15,5 metros de profundidade ) o suficiente
para a atracação dos maiores navios graneleiros do mundo.
Existe a expectativa de crescimento, tanto nas importações
como nas exportações de carga conteneirizada a partir
da equalização custos operacionais e fretes cobrados.
O terminal privado de contêineres ( TECON ) é administrado
pela empresa filipina ICTSI -Internacional Container Terminal Service
Inc, começou suas operações em maio de 2002. Apesar
de ter recebido investimentos da ordem de 25 milhões de dólares,
negociações de acordos coletivos de trabalho entre o terminal
e os sindicatos de mão de obra avulsa impediram a movimentação
contínua de contêineres.Para 2004, estão previstos
um aumento de atividades na ordem de movimentação de 165
mil contêineres, que tornará o terminal de contêineres
, o maior do Norte e Nordeste.
Para o ano de 2005, o TECON pretende movimentar 200 mil contêineres
.
Obras foram iniciadas para entrada até o final de 2005, um terminal
de re-gaseificação de gás liquefeito que transformará
Pernambuco no maior pólo de distribuição do combustível
na região. O contrato de arrendamento do píer de 340 metros,
onde funcionará a planta da GNL do Nordeste, sociedade formada
pela Shell do Brasil e a Petrobrás.
Outros dois terminais previstos para automóveis com 56 mil metros
quadrados e capacidade estática de 3 mil veículos e o
terminal de grãos. O terminal de grãos foi projetado para
uma capacidade estática de 100 mil toneladas e movimentação
mínima de 2 milhões de toneladas por ano e terá
um operador privado.
Mas a obra mais importante no Estado, foi a duplicação
da BR-232, com 118 km duplicados entre Caruaru e Recife, com 3000 empregos
diretos e 7000 indiretos.
A capacidade de tráfego se elevou de 14 mil veículos diários
para a média de 56 mil veículos por dia.
As facilidades de acesso e escoamento da produção, a partir
da duplicação, estão levando investimentos para
as cidades situadas à margem da estrada, mesmo antes da conclusão
da obra.
As cidades de Caruaru e Gravatá, no Agreste pernambucano, serão
as principais beneficiadas . Outros municípios Vitória
de Santo Antão, Moreno e Bezerros, além de Garanhuns (
apesar de não estar no eixo da obra ), também ganharam.
No caso de Caruaru, a rodovia fortalece o potencial industrial e de
entreposto comercial da "Capital do Agreste". Segundo empresários
do município, a precária situação da BR-232
era um dos empecilhos que dificultavam o maior desenvolvimento da cidade.
Com a conclusão das obras , as empresas passaram a ganhar uma
agilidade maior na entregas de produtos. Redução considerável
do tempo de viagem até Recife ou até Suape, por maior
mobilidade no fluxo de veículos na via,com redução
dos congestionamento.
Além dos investimentos na área industrial, Caruaru vem
atraindo um grande número de centrais de distribuição.
Com 1125 hectares, o distrito industrial conta com 80 % da área
cedida aos grupos empresariais .A prefeitura do município,cede
o terreno, colocando na porta, luz e água. Ao se instalarem e
entrando em operação,as empresas ainda podem receber isenção
de parte do ISS. O interesse das empresas pela região, é
estimulada pela facilidade de escoamento. Possui um mercado potencial
de 2 milhões de habitantes, considerando apenas os habitantes
dos municípios atingidos pela obra.
A cidade de Gravatá, considerada a "Suíça
pernanbucana", a 80 km do Recife, atraiu novos investimentos especialmente
na área turística. Com 12 mil leitos à disposição
dos visitantes, os hoteleiros locais estão ampliando suas instalações
para atender a crescente demanda de vagas. Antes da duplicação
da estrada,o município contava com um público flutuante
de 50 mil pessoas,que se alocavam em 8 hotéis e nas 3 mil casa
de campo existentes. A expectativa num crescente, após conclusão
da BR-232, é de que o fluxo de turistas dobre.
Além do clima frio e das opções gastronômicas,
Gravatá tem um dos artesanatos mais diversificados do Estado.
As opções vão desde os artigos em palha aos móveis.
Assim, as cidades no caminho da duplicação da BR-232 passam
por um novo ciclo de crescimento.
Atraídas pelo tamanho do mercado e pelo desenvolvimento latente
regional, milhares de empresas vêm instalando ou ampliando unidades
nos estados nordestinos ou concentrando nela grande parte das vendas.
A logística no Nordeste tem em Pernambuco seu principal pólo.
A liderança do Estado se explica por três fatores :
Posição geográfica privilegiada em relação
à região, ao Nafta e à União Européia;
O Porto de Suape, que tem potencial de concentrador de cargas ( hub
port );
Generosos incentivos fiscais concedidos pelo Governo estadual, a partir
de 1999, às centrais de distribuição
Plano Estratégico de Logística ( governo estadual e empresários
) em fase de conclusão,cujo objetivo é de incrementar
o pólo estadual em todos os modais
(portuário,rodoviário,aeroportuário e ferroviário).
Diante a tudo que foi apresentado, continuamos otimistas, na transformação
do Estado de Pernambuco, em um grande corredor logístico do país,
na entrada e saída de mercadorias, tanto no mercado interno,
como no exterior.
LOGÍSTICA: PERNAMBUCO É O LUGAR!
Marcílio José Bezerra Cunha - Engenheiro e Administrador
- Consultor de Empresas e Professor Universitário - Diretor do
GELPE ( Grupo de Estudos da Logística em Pernambuco )
www.marciliocunha.com.br
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