:: A LOGÍSTICA NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL

 


(13/10/2003)

A indústria automobilística sempre se destacou como introdutora de novas práticas logísticas no sistema produtivo.A Toyota, há mais de trinta anos, deu início aos novos métodos inovadores na relação com fornecedores. A partir da globalização e a estabilidade da economia do país, bem como, a melhoria da prestação de serviço ao cliente, as empresas voltam-se para a logística.A tendência de reduzir estoques para diminuir os custos, com o conseqüente aumento da freqüência das entregas, é um dos fatores que levam a tornar o gerenciamento da cadeia de suprimentos cada vez mais complexo.Ao mesmo tempo, a grande extensão territorial do Brasil, exigem sistemas logísticos capazes de manejar uma variedade maior de materiais e matérias-primas.
Passando da distribuição intermodal, que utiliza diversos meios de transporte, como ferrovia,aéreo,marítimo,fluvial,rodoviário,para a multimodal, que trabalha com pelo menos dois modos de transporte. Para isso,contam com a mecanização,com a informática,da tecnologia de transporte e armazenamento.Estão voltados para a logística em busca de um aperfeiçoamento cada vez maior no recebimento da matéria-prima, da programação da produção e da distribuição física.
A atividade industrial está implantada por todas as regiões do país.A demanda por produtos fabricados nem sempre ocorre na região em que é fabricado,espalhando-se por todo o Brasil e Mercosul.Gera-se assim, a necessidade de soluções de logística que movimentem os produtos do fabricante até o consumidor final com a maior eficiência de custos possível.É o caso dos fabricantes de sucos de frutas tropicais no Nordeste,cujo o principal mercado,está no Sudeste do país.Outra tendência observada é a transferência das unidades produtivas de várias empresas para o Nordeste ou Sul do país, com profundos efeitos sobre a necessidade de soluções de logística no futuro.
A concentração do armazenamento tem sido beneficiada diretamente pelos avanços da tecnologia da informação,que tem permitido o gerenciamento de uma gama de itens em estoque,abrangendo grandes áreas e com interfaces cada vez mais sofisticadas com as outras partes da cadeia de suprimentos.Assim, é possível direcionar pedidos com maior eficiência e com alto grau de confiabilidade.
Ao mesmo tempo, os níveis de estoque diminuíram em todos os setores industriais.Como resultado da redução do tempo de produção,o just-in-time seqüenciado, o kanban , a autonomação e outras técnicas se tornaram aceitáveis.
Na industria automobilística, por exemplo, a utilização do just-in-time está bem preparada.
Os componentes para a montagem dos veículos,chegam à unidade fabril apenas quando são necessárias e os fabricantes também vêm conseguindo reduzir os estoques nas revendas.
Centrais de Distribuição, atendem os revendedores, recebendo veículos de lotes de produção destinados especificamente para eles, o que diminui o número de carros no pátio central da fábrica.
O setor de varejo também adotou seu "just-in-time"determinado pela demanda .É o caso das Lojas Americanas e o Bom Preço em Pernambuco, onde as lojas recebem produtos de alto giro em carregamentos menores, mas com maior freqüência. Tal procedimento pôde avançar ainda mais com o desenvolvimento das cargas unitizadas, otimizando a utilização dos veículos e com benefícios também para o meio ambiente.
Uma das maiores inovações foi aplicada na fábrica da Volkswagen em Resende-RJ , inaugurando o consórcio modular. São sete módulos e mais dois parceiros de transporte e logística.
A coleta das peças é realizada junto a cerca de 500 fornecedores da VW para os sistemistas instalados no complexo industrial, inclusive os 5% dos itens importados via Porto de Santos.A empresa utiliza a coleta porta a porta ( milk run ) .Agenda dia e hora para coletar as peças requisitadas pela montadora.São quinze rotas fixas, em que o transportador percorre e concentra as cargas em seu centro de consolidação em Guarulhos-SP, de onde saem os caminhões com destino a Resende-RJ, bem como, para as revendas da marca, no caso das peças de reposição.A linha de produção de caminhões e ônibus, é ocupada pelos funcionários dos sistemistas, que executam as operações nos sete módulos.
Outro projeto audacioso, é o da fábrica da General Motors em Gravataí-RS.A unidade de produção ,fabrica o modelo Celta, que vem sendo considerada o novo marco logístico.Redução drástica do número de fornecedores diretos à linha de produção. A planta industrial conta com 17 sistemistas e outros 70 fornecedores dentro ou próximos ao complexo. Toda a operação de coleta junto aos fornecedores e a alimentação das peças na linha de produção pelo sistema "just-in-time in sequence"( just-in-time seqüenciado ).
Consta de entrega direta da peça na linha seguindo a seqüência de produção,atendido por um único operador logístico, a TNT Logistics.
A inauguração do novo Complexo Industrial Ford Nordeste,em Camaçarí -BA,experimenta processo de produção integrada e seqüenciada.Conta com tecnologia de última geração e um dos mais altos níveis de automação.Estes fatores contribuem para o elevado padrão de eficiência e qualidade da operação.A montadora e os fornecedores estão lado a lado e trabalham seguindo uma seqüência lógica em sintonia permanente.
Por tudo isso, o setor automobilístico é autêntico benchmarking para outras industrias.

MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.


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