:: A logística reversa na agricultura
 


(17/07/2002)

Em 14 de dezembro de 2001, as indústrias de defensivo agrícolas decidiram criar o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias-INPEV. Foi constituído e nasce para operacionalizar o projeto idealizado e desenvolvido pela Associação Nacional de Defesa Vegetal - ANDEF, entidade que representa as indústrias agroquímicas, desde 1992.

O Brasil é o único país do mundo em criar uma lei específica que trata do assunto, a 9.974/00. Pela nova legislação, o recolhimento das embalagens vazias de defensivos agrícolas será de responsabilidade do setor privado (indústrias, revendas e agricultores), cabendo aos governos dos estados a fiscalização.

A operação logística reversa processará iniciando pelo produtor rural, que terá de entregar as embalagens vazias para os postos de distribuição das revendas, que serão enviadas às centrais de recolhimento das indústrias. Caberá, portanto, ao agricultor preparar as embalagens, armazenando-as temporariamente em sua propriedade rural, realizando um serviço de tríplice lavagem e depois transporta-las com as respectivas tampas para uma unidade de recebimento que será indicado pelo próprio revendedor.
Caberá aos canais de distribuição disponibilizar, gerenciar as unidades de recebimento e orientar os produtores sobre como efetuar as lavagens das embalagens, acondicionamento, armazenamento, transporte e devolução das mesmas, quando vazias. Quanto as indústrias, terão que administrar às centrais de recolhimento, onde as embalagens serão prensadas para posteriormente serem recicladas, evitando perigo de que resíduos do produto retornem ao meio ambiente com prejuízos sociais.
Também é tarefa da indústria implantar programas educativos, mecanismos de controle e estímulo junto aos agricultores.

As indústrias de defensivos agrícolas produzem 130 milhões de embalagens, o equivalente a 27 mil toneladas. Espera-se que até 2006, quando as indústrias já tiverem investido US$ 25 milhões no processo, 100% das embalagens sejam recolhidos. Para este ano a expectativa do governo é de 50% de recolhimento.
Faltam postos e centrais de recolhimento junto as indústrias. Pelos cálculos do IPEV, seriam necessárias 150 centrais e 250 postos. Mais uma vez se confirma a lei de conservação de massas de Lavoisier, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Mas nem mesmo o grande cientista poderia prever que o agricultor seria um ativador desta lei na logística reversa rural.

MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.


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