(02/06/2003)
Após a industria brasileira descobrir como grande filão,
a reciclagem, passaram a correr atrás da economia dos custos
de produção.Esta economia em cima de energia elétrica,
matéria-prima e mão-de-obra, se complementa com a consciência
ecológica e ambiental.
Infelizmente, ao contrário dos países do primeiro mundo,
o boom da reciclagem nas grandes cidades brasileiras não reflete
índices de desenvolvimento.Surge do aumento do desemprego e da
informalidade.Mais de 100 mil pessoas vivem no país exclusivamente
da coleta de latas de alumínio para reciclagem.São conhecidos
como catadores.Dependendo da região, fazem em média, de
um a três salários mínimos por mês.
Aqui em Pernambuco, a LANESA, fábrica de latas em alumínio
é prova de sucesso, onde cerca de 100% da matéria-prima
utilizada,o alumínio, volta das ruas através dos catadores
de lixo e das entidades do Projeto Escola. Cerca de 300 entidades,entre
escolas, associações de moradores e de bairros, estão
cadastrados ao programa permanente de reciclagem. A LANESA, produz 750
milhões de latas por ano, sendo 1850 latas por minuto. A reciclagem
de uma única latinha significa a economia de energia suficiente
para manter uma televisão ligada durante três horas. Com
o uso da reciclagem de latas deixa de se retirar do sub solo 5 quilogramas
de bauxita ( minério que produz o alumínio, para cada
quilogramas fabricado ).
Desde que iniciou em 1994, o programa permanente de reciclagem da lata
em alumínio em Pernambuco, a LANESA, localizada em Suape a 40
quilômetros do Recife, coletou até 1999, 600 toneladas
de alumínio, correspondendo à 40 milhões de latinhas.
A reciclagem dessa quantidade, proporcionou uma economia de energia
de 10 mil quilowats, suficientes para iluminar 28 mil residências
com 4 pessoas por um mês.
A Companhia Industrial de Vidro-CIV, pertencente ao grupo Brennand,
instalada no bairro da Várzea em Recife,utiliza 30% da matéria-prima
com cacos de vidro reciclado. Além da compra de vasilhames junto
aos catadores, possui uma parceria com o Hospital do Câncer,que
coleta vidro nos supermercados e praças públicas, através
da doação da produção.Na própria
fábrica, são recicladas 4 mil toneladas de vidros na própria
fábrica, através de uma unidade de reciclagem.Do vidro
fabricado nacionalmente,35% da produção é reciclada.
O Brasil produz 890 mil toneladas de embalagens em vidro por ano.
Os vasilhames em vidro voltam ao mercado na forma de embalagens, para
indústria de bebidas, alimentícia e farmacêutica.
A fábrica de papel ONDUNORTE, localizada na BR 101 norte, em
Igarassu, está estruturada para trabalhar com papel reciclado.
Produz por mês 500 toneladas de papéis absorventes e 2
mil toneladas de papel para fabricação de caixa.
Aproximadamente 100 % da matéria-prima utilizada vem da reciclagem
de aparas de papel adquirida dos depósitos de papel, que adquirem
dos catadores.Mesmo assim, ainda obtém celulose para a sua linha
de produção. No Brasil, como há pouco incentivo
para a reciclagem de papel e ser um grande produtor de celulose virgem(
matéria-prima do papel), apenas 36 % do papel e papelão
que circula no país retorna à produção através
da reciclagem. O Brasil consome por ano cerca de 4,6 milhões
de toneladas. Do total dos papéis circulantes no país,
75 % são reciclagens.
O papel reciclado pela ONDUNORTE retorna ao mercado em forma de caixas
para embalagens, absorvente, papel higiênico e toalha, além
de papel branco para escritório.
As garrafas PET, largamente usadas atualmente como embalagem de refrigerante.Vazias
e abandonadas nas ruas, terrenos baldios,canais e rios de nossa cidade
do Recife, causam poluição e até assustam as pessoas
ao estorarem sob as rodas dos carros ao passarem por cima delas.
A cada dia novas utilidades são criadas, servindo hoje como estruturas
de paredes, fabricação de móveis, objetos decorativos
e agora entram no mercado de tintas e vernizes.Estão sendo usadas
na fabricação da resina tida como matéria-prima
mais importante do setor.
Esperamos, que alguma de nossas industrias pernambucanas,encontrem outras
aplicações para as garrafas PET, trazendo benefícios
ambientais importantes.
MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.
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