:: LOGÍSTICA EM PERNAMBUCO: REFÉM DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO
 


(19/03/2003)

A precariedade atual de oferta e demanda de cargas e os elevados custos de frete dos demais modais, tem levado aos empresários locais a intensificar e dar preferência ao uso do transporte rodoviário. A razão do preço de frete ser alto, deve-se a pequena quantidade de carga para exportação para fora de Pernambuco, tornando o custo operacional maior para as empresas.
O problema mais grave tem se concentrado no Complexo Portuário de Suape, que até agora não conseguiu resolver os impasses gerados entre usuários e o Tecon Suape. É uma briga já se estende por um bom tempo, trazendo prejuízos em todos o sentidos, para a própia Tecon, empresas pernambucanas e o Estado.
A notícia de abertura de um novo pátio público alfandegado, quebrará o monopólio da TECON SUAPE na movimentação de contêineres no porto. Assim, o porto de Suape voltará a ser atrativo para os grandes operadores. O alto valor cobrado aos usuários do porto de Suape tem favorecido o crescimento da movimentação de contêineres, principalmente nos portos de Aratú (BA) e Pecém (CE).
A ampliação dos modais aéreos e portuários local, dependerá exclusivamente do índice de desenvolvimento do Estado , como instalação de novas industrias que possam incrementar exportações e importações , das relações comerciais.Pelo que tenho assistido e analisado (apesar de não ser economista),que o Estado de Pernambuco tem desenvolvido grandemente na área de serviços , não sendo na mesma proporção o crescimento industrial. Não acredito em desenvolvimento logístico, sem a presença forte da industria e do comércio.
Observo que, um dos problemas cruciais dos portos pernambucanos , é de não há ver estímulos aos armadores internacionais, fixar linhas de navios, pela falta de carga suficiente que garanta a continuidade de viagem ou retorno, com viabilidade operacional e financeira do navio.
O mesmo acontece com o Aeroporto Internacional dos Guararapes que coloca na sétima posição no ranking nacional na movimentação de cargas, segundo a INFRAERO. O novo armazém de cargas, já construído, atende perfeitamente a demanda comercial com uma área total de 6215 metros quadrados, o armazém tem capacidade para abrigar 1168 toneladas/mês de mercadorias. Hoje, aproximadamente 30% deste volume estão em uso. Os principais tipos de carga aérea importada, são têxteis, eletro-eletrônicos, manufaturados, peças e componentes automotivos. Já a carga exportada é de peixes frescos e ornamentais, calçados, têxteis, eletrônicos e frutas.
Com relação ao porto de Petrolina, durante muitos anos classificado pelo Ministério dos Transportes como rudimentar, privou-o de receber recursos do Orçamento Geral da União, inviabilizando o aproveitamento do potencial da região para transporte de frutas e grãos. O porto de Petrolina é o único terminal fluvial do Estado.
Localizado a 722 km do Recife, o terminal fluvial movimenta aproximadamente 50 mil toneladas/ano. Hoje, esse volume está restrito porque existem apenas 704 km do rio São Francisco que podem ser navegáveis, que vai de Petrolina a Ibotirama (BA), município próximo de Barreiras(BA),um pólo produtor de grãos, que produz 3 milhões de toneladas. Apesar do trecho navegável ser pequeno, o porto de Petrolina poderia absorver 90% desse volume. São necessários investimentos urgentes, principalmente, em novos equipamentos e recuperação da frota envelhecida de movimentação de cargas. Da mesma maneira, resolver o problema de assoramento, provocado pela movimentação de bancos de areia e no derocamenrto (remoção de pedras através de explosões), que tornam o restantes 667 km, entre Iboritama a Pirapora (MG), inoperantes.Em alguns pontos, a profundidade é de apenas 80 centímetros, quando necessário um canal de navegação com 35 metros de largura e dois de profundidade. Com estas dimensões, seria possível a movimentação de comboios com até 14 toneladas de carga / viagem. Hoje a média do comboio é de apenas duas mil toneladas / viagem, o que deixa o transporte comercialmente inviável pelo alto custo. É o tipo de transporte que só torna competitivo com comboios de, no mínimo , 8 toneladas de carga.
No pólo gesseiro do Sertão do Araripe (PE), um dos maiores núcleos de produção do setor no mundo e maior do Brasil, tem como maior gargalo para o crescimento das exportações do gesso beta é a existência de um ramal ferroviário para escoar a produção. O custo do transporte rodoviário até os portos brasileiros inviabiliza a entrada efetiva do gesso nos mercados da Europa e Estados Unidos, não podendo competir com o gesso espanhol. Com o transporte por trem de Araripina à Recife , num percurso aproximado de 600 km. O volume hoje exportado é bastante baixo, representando 0,01% da receita total. Basicamente toda a produção fica no Brasil.
As reservas de gipsita (matéria-prima do gesso) medidas na região é de 168 milhões de toneladas e reservas estimadas de 1,2 bilhão de toneladas. Somente os Estados Unidos, compram 12 milhões de toneladas/ano, sendo 95% de gipsita e 5% de gesso adquiridos à Espanha, México e Canadá. Mas, por causa da falta de ferrovias as cargas do setor são movimentadas através de rodovias.
A frota rodoviária de Pernambuco é de 50 mil caminhões com idade de 14 anos, em Média, vivendo em permanente reparos e as empresas não fazem renovação por falta de capital. Somando-se a má conservação das estradas, significa aumento de 10% no frete. Isso sem contar os assaltos aos caminhões, que dificultam a renovação de Seguros das transportadoras.
Mais que aumentar a quantidade de rodovias, é preciso manter a qualidade das existentes. A malha rodoviária de Pernambuco é constituída de 5670 km de estradas pavimentadas, dos quais 2970 km são estaduais. Foram implantados 680 km de novas rodovias e recuperação de outros 820km do ano de 2001 até o momento.
Em fase bem adiantada de conclusão da duplicação da BR-232 estratégica para o segmento logístico. A Br-232, tem 550km de extensão, facilitará o transporte de cargas a partir de Caruaru para o Recife e para o Estado.
No intuito de manter as boas condições das estradas, está sendo utilizada balança móvel pelo DER, para controlar o peso das cargas dos caminhões e evitar afundamento do asfalto. Radares eletrônicos, também estão sendo utilizados.
Quanto a BR-101, está em processo licitatório pelo DNER para entrar em obras no trecho que liga Pernambuco à fronteira com os estados vizinhos.
Enquanto os desencontros entre os sistemas de transportes existirem no Estado, a Logística de Pernambuco, estará refém do modal rodoviário. Atualmente, 94% da Movimentação de cargas em Pernambuco, é realizada pelo modal rodoviário.

MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.


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