(12/02/2002)
A logística , sendo a ultima fronteira do trabalho de redução
de custos , se constitui hoje no país , em promotora do desenvolvimento
de negócios. Passado as medidas adotadas pelas empresas na racionalização
dos processos operacionais , aumentando a produtividade, a eficiência
e tornando-as competitivas no mercado, restaram a resolução
dos problemas vinculados ao fornecimento às empresas e à
distribuição de produtos .
O desenvolvimento industrial e comercial do interior de Pernambuco,
a partir da conclusão das obras da BR- 232 , trará efeitos
marcantes sobre o consumo cada vez mais crescente.
A preocupação em ampliar as condições de
trafegabilidade pelas estradas, deverá sempre estar presente,
na mente de nossos dirigentes políticos.
Mas, gostaria de lembrar, a nossa ferrovia. A triste lembrança
do descarrilhamento do Trem do Forró , marcando a última
viagem de trem ao interior do Estado. O tempo não para e lá
se vão cinco anos.
Continuamos passivos , à beira dos trilhos, olhando o mato crescer
entre os dormentes. Parece até que a ferrovia não é
necessária e que o projeto foi literalmente enterrado. Não
ouvimos falar mais nada sobre ela. A Transnordestina morreu e não
mandamos rezar a missa de sétimo dia.
Não há condições de ter logística
, sem considerar em primeiro plano a ferrovia.O Estado de Pernambuco,
não pode prescindir do trem.
O maior gargalo do sistema regional é justamente um dos modais
de mais baixo custo: o ferroviário. A mais de duas décadas
sem receber o volume necessário, as ferrovias nordestinas estão
em péssimo estado de conservação.São 4,5
mil km entre Propiá(em Sergipe, na divisa com Alagoas) e São
Luiz do Maranhão, interligando oito Estados.
Na região apenas a Bahia fica de fora. Trata-se de uma rede com
o privilégio de oferecer transporte até 40 % mais barato
que as ferrovias e de estar integrada a oito portos : Recife, Suape
, Maceió, Cabedelo, Natal, Mucuripe,Pecém, São
Luiz. Mas que se encontra sub-utilizada pois, 60 % dos dormentes precisam
ser substituídos .
E a Transnordestina ? Até o momento, a Companhia Ferroviária
do Nordeste-CFN, não conseguiu colocar a malha nos trilhos.O
principal motivo continua sendo os desencontros entre a CFN e o Governo
Federal que não conseguem chegar a um denominador comum.
As normas contratuais são muito claras, ao determinar que os
aportes na via permanente ( trilhos ) são de responsabilidade
da União . Contratualmente os compromissos da Companhia se restringem
aos investimentos em material roldante, ou seja trens vagões
, e na manutenção da malha.
Apesar de vários encontros e acordos , nada saiu do papel.
Torcedores ferrenhos que desejam ver seus sonhos idealizados, são
os empresários do setor gesseiro. Pleito antigo , esta ferrovia
viria a atender ao pólo produtor do Araripe ( a 600 km do Recife
) , responsável pela produção de mais de 90 % do
gesso brasileiro e um dos maiores núcleos de gipsita do mundo.
Na parte do projeto da Transnordestina, Há um ramal adicional
de 110 km denominado de ferrovia do gesso , integrado ao trecho Petrolina
/ Salgueiro (PE) com 220km.
Um dos principais benefícios para as indústrias do gesso,
é que a ferrovia , proporcionaria uma logística altamente
competitiva para o pólo. Permitiria ao setor passar de 2,6 milhões
de toneladas / ano em 2001 para 6,8 milhões em 2005, das quais
1,5 milhão de toneladas destinadas ao mercado externo. Atualmente,
as exportações representam menos de receita do setor de
1% da receita do setor do Estado.
Mas, há um resto de esperança . Esperamos com todo fervor,
que as partes responsáveis ( CFN e Governo Federal ) cheguem
a um acordo e resolvam o problema. Não podemos ficar a assistir
os prédios das estações, ao longo da linha ferroviária,
serem transformados e locais de venda de artesanatos.
Continuaremos a aguardar anciosamente a reversão da situação
e que em breve possamos ver novamente, a passagem garbosa de nossos
trens.
MARCÍLIO CUNHA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO,
ENGENHEIRO E ADMINISTRADOR,
CONSULTOR DE EMPRESAS.
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