OS CLUSTERS E A LOGÍSTICA
NO AGRONEGÓCIO
Sendo a Logística uma estratégia para disponibilizar
produtos e materiais no mercado e em pontos de consumo com a máxima
eficiência, custos controlados e conhecidos, não podemos
esquecer a existência dos clusters.
Segundo o especialista em estratégia Michel Porter, define clusters
como grupos, agrupamentos ou aglomerados.São concentrações
geográficas de empresas de determinado setor de atividade e organizações
correlatas, de fornecedores de insumos a instituições
de ensino e clientes.Em uma economia globalizada,muitas vantagens competitivas
dependem de fatores locais; por isso ganham importância as concentrações
geográficas de empresas.
Embora a localização geográfica continue sendo
fundamental para a concorrência,sua função hoje
é muito diferente do que há uma geração.
Quando a competição era impulsionada na base do custo
dos insumos, as regiões com algum recurso importante, como um
porto,uma malha férrea, rodovias, mão de obra capacitada,
geralmente concentrava uma vantagem comparativa, ao mesmo tempo decisiva
e duradoura.A vantagem competitiva atualmente, depende do uso mais produtivo
dos insumos,o que requer constante inovação nos seus procedimentos.
Os clusters afetam a competitividade dentro e fora das fronteiras do
país. Representam uma nova maneira de encarar a localização
geográfica,desafiando como o conhecimento acumulado sobre a forma
como as empresas devem ser estruturadas, de como as instituições
de ensino e pesquisas podem contribuir para o sucesso competitivo e
como os governos podem promover o desenvolvimento sustentável
e econômico, permitindo a prosperidade de todos.
Um bom exemplo disso, o cluster do vinho da Califórnia, o Wine
Country, envolve 680 vinícolas comerciais e milhares de produtores
independentes de uvas. Conta com vários setores de apoio à
produção de uva e vinho, que inclui fornecedores de equipamentos
para irrigação e colheita, de barris e de rótulos,
empresas especializadas em relações públicas e
publicidade; e um grande numero de publicações direcionadas
ao público consumidor e as organizações. O cluster
do vinho também tem ligações secundárias
com outros cluster da Califórnia, nas áreas de agricultura,
alimentação e turismo.
Os clusters tanto promovem a concorrência como a cooperação.
A cooperação está presente, em grande verticalização,
envolvendo as empresas de setores afins e instituições
locais.A concorrência e a cooperação, ocorrem em
dimensões diferentes e entre participantes distintos.
O cluster é uma forma alternativa de organização
da cadeia de valor. A aproximidade física de empresas e instituições,
com transações de mercado, bem como, as sucessivas trocas
entre elas, facilita a coordenação e amplia a confiança.
A concorrência entre empresas hoje,não está no acesso
a insumos ou da economia de escala, e sim na produtividade. As empresas
podem ser altamente produtiva em qualquer setor, desde que empreguem
métodos de tecnologia avançada e ofereçam produtos
e serviços diferenciados. A capacidade competitiva dos clusters
apresenta-se em três maneiras principais:
# Aumentando a produtividade das empresas sediadas na região;
# Indicando a direção e o ritmo da inovação,
que sustentam o futuro crescimento da produtividade;
# Estimulando a formação de novas empresas, o que expande
e reforça o próprio cluster.
Um cluster geralmente melhora a reputação de uma região
em determinado setor, aumentando as oportunidades dos compradores procurarem
as empresas ali sediadas.
O Brasil possui três grandes clusters, no agronegócio.
Além de unir no mesmo local a cadeia produtiva( cooperativas
e associações), fornecedores de insumos, institutos de
pesquisa, escolas técnicas, universidades,bom acesso aos mercados
consumidores, além do motor do processo: uma grande industria.
Localizados em Barreiras(BA), Cascavel / Maringá (PR) e no sudoeste
de Goiás. O estado do Mato Grosso também merece destaque,
embora seus pequenos clusters estejam espalhados por regiões
como Alto Teles Pires ou Parecis.
Mas foi no sudoeste de Goiás que se formou o mais completo exemplar
da idéia, devido à presença da Perdigão
em Rio Verde (GO).
Além da produção de frutas dos estados das regiões
Sul e Sudeste, o Nordeste também começa a se destacar,
principalmente com a fruticultura irrigada. Alguns exemplos disso são
os pólos de Petrolina, as margens do Rio São Francisco,
em Pernambuco, e o de Mossoró,no Rio Grande do Norte.No sertão
paraibano, no Vale do Rio Piranhas, o município de Souza, a 420
quilômetros de João Pessoa, está sendo implantado
um projeto de irrigação agrícola destinado a transformar
a região no mais novo pólo de fruticultura do nordeste.
O suporte logístico é considerado excepcional. Em um raio
de 550 quilômetros de Souza encontram-se grandes centros consumidores
e comerciais do nordeste.
O escoamento das frutas produzidas no nordeste, pode ser feito por via
aérea através de Petrolina, que conta com um aeroporto
internacional. A pista do aeroporto foi ampliada para operar aeronaves
cargueiras de grande porte e estrutura adequada ao armazenamento e embarque
de frutas para a Europa e América do Norte.
Ampliar a produção agrícola no Corredor Centro
- Nordeste de Exportação, tendo a soja como carro-chefe,
e com o objetivo de aproveitar a logística já instalada
é meta da Companhia Vale do Rio Doce-CVRD para os próximos
anos na região. A Vale instalou escritórios de promoção
agrícola em Porto Franco(MA) e Vila Rica(MT). O trabalho tem
como parceiros o Banco do Nordeste, prefeituras e governos estaduais,
também é desenvolvido em Uruçuí (PI), e
em Conceição do Araguaia e Marabá(PA). A produção
de soja do sul do Maranhão, do Piauí e norte do Tocantins
é escoada pelas ferrovias Norte-Sul e Estrada de Ferro Carajás-
EFC até São Luis . As duas ferrovias se interligam em
Açailândia(MA), localizada a 513 quilômetros do porto.
Composto por ferrovias e porto, o corredor Centro-Norte oferece percurso
mais curto e o porto para exportação; como conseqüência,
frete mais barato, e mais agilidade no embarque.
Por tudo que foi dito, o cluster não acontece por acaso. A região
precisa ser preparada, para tornar uma grande em empresa venha investir.
O cluster é o caminho natural de atividades em expansão
como o Vale do São Francisco e pode recuperar setores em dificuldades.
No setor agrícola traz boas oportunidades de investimento, devido
ao baixo impacto do "Risco Brasil"(impostos,juros,encargos
sociais) e ao pequeno gasto em terra, capital e mão de obra.
Marcílio José Bezerra Cunha. Professor Universitário
e Consultor de Empresas.
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