O pólo gesseiro do Araripe, no Sertão de Pernambuco ( a 600 km do Recife ), formado pelos municípios de Araripina,Trindade,Ipubi,Ouricuri e Bodocó,produz 95% da gipsita do país.O Governo do Estado está investindo no Centro de Tecnologia do Gesso em Araripina,onde em conjunto com o Sebrae, o Sindugesso e os produtores criam base para o desenvolvimento de técnicas inovadoras de utilização do gesso e formação de profissionais ligados à área.
Na região, 318 empresas produzem anualmente 1,2 milhão de toneladas de gesso e 3,3 milhões de toneladas de gipsita,faturam R$ 300 milhões e geram 12 mil empregos diretos e 60 mil indiretos.
Toda a produção deveria estar sendo escoada por transporte ferroviário,devido aos custos reduzidos de frete. Mas, por causa da falta de ferrovias, as cargas do setor são movimentadas através de rodovias.
O alto preço do modal rodoviário faz com que o pólo seja competitivo apenas no Brasil.Mas, as apostas na polêmica Transnordestina,continuam em alta. O empreendimento, projetado inicialmente no século XIX, vai permitir a interligação dos portos de Suape e Percém por estradas de ferro. Além disso, possibiltará a criação do corredor multimodal do Rio São Francisco. Para a concordância com relação ao projeto de Transposição, o Estado de Pernambuco e algumas entidades ambientalistas, estão a exigir do Governo Federal, primeiro a recuperação do rio, referentes ao assoramento, retiradas de pedras e sinalização ribeirinha para utilização plena da potencialidade do rio quanto a navegabilidade. Com a viabilização da Hidrovia do São Francisco, transformará Petrolina ( município a 700 km do Recife ) num dos maiores centros de distribuição do país, ao consolidar a cidade como um dos principais eixos logísticos entre o Nordeste e Norte.
Saindo do projeto para a efetivação desses investimentos estruturais, trará como resultado, uma redução de custos logísticos de 50 %, que permitirá condições de competitividade no mercado nacional e até nos maiores mercados mundiais. Contando com a ferrovia logo no primeiro ano, terá um crescimento da ordem de 25 % a 30 % na produção. A venda para o mercado internacional poderá ser consolidado, através da logística de exportação mais barata. Hoje é preciso um esforço enorme para concretizar uma exportação de gesso ou da gipsita. O valor de US$ 25 por tonelada dificulta as negociações. Essa dificuldade se apresenta, devido o percurso da carga do pólo até o porto de Mucuripe, no Ceará. O longo caminho é feito por rodovia até o Crato, e a partir daí, de trem até Fortaleza. Com a Transnordestina viabilizada, o trecho de 600 km entre Salgueiro e Recife ( trecho do qual restam ruínas de uma antiga estrada ), mais a Ferrovia do Gesso, com 80 km , entre os municípios de Araripina e Parnamirim, que será bancada com recursos da administração estadual, o preço deve cair para o valor de US$ 12 a US$ 15 por tonelada, saindo a exportação pelo o porto de Suape. Como a Transnordestina na nova concepção ainda não existe, apenas 1,5 % da atual produção é exportada.
A expectativa é que 50% da produção seja destinada para o mercado interno ( hoje, 55 % para o Sudeste, 20 % para o Sul e 25 % para o Nordeste, Centro-oeste e Norte ), terá um crescimento considerado em toneladas de produto, já no primeiro ano com a queda dos custos. Os outros 50 % da produção, para o mercado externo. A previsão de faturamento deverá assumir um ritmo de crescimento entre 20 % a 25 % ao ano. Atualmente, a média de crescimento é de 5% ao ano.
No pólo do Araripe, as mudanças estão acontecendo para o melhor. Outras mudanças virão, como a diversificação da matriz energética ( diminuição da queima da madeira e reflorestamento ) e a fabricação de produtos de maior valor agregado ( placas e blocos de gesso, casas populares de gesso ). A qualificação do profissional do mais graduado ao estudante, tornando o futuro cada vez mais promissor, dos que fazem o pólo gesseiro crescer forte.
Marcilio José Bezerra Cunha – Engenheiro, Administrador e Mestre em Engenharia de Produção – Consultor e professor Universitário – Diretor do GELPE – www.marciliocunha.com.br