:: Os Entraves na Logística no Complexo Portuário de Suape

 


(23/02/2005)
O Governo de Pernambuco tem criado junto ao porto de Suape, condições necessárias para atrair empresas que tem aportado grandes investimentos.
Nesta lista, relacionamos a Termopernambuco, a fábrica de envase em garrafas pet da Coca Cola, a fábrica e central de distribuição da Unilever, o parque gráfico da Quebecor, o pólo de poliéster do Grupo M&G e o estaleiro da Camargo Corrêa e por último, o mais recente acordo da parceria da Petrobrás com a estatal Petróleos de Venezuela ( PDVSA). O prazo estimado para o início das obras pela autoridades é de 15 meses, para as formalidades legais e audiências públicas.
O porto de Suape vem sendo um dos fatores essenciais para a consolidação do pólo de logística pernambucano. Com uma profundidade de 15,5 metros,que permite a operação de supercargueiros e embarcações full containers de grande porte com capacidade de até 6 mil contêineres.O terminal de contêneires-Tecon,
tem potencial para operar até 400 mil contêneres anuais.
Suape possui três berços de atracação em seu porto interno,cada um com 350 metros de extensão,com estudos para construção do quarto berço.Localizado nos pontos de menor distância para navios que navegam pelo Atlântico Sul nas rotas da América do Norte e Europa,tornando Suape a porta de entrada e saída de produtos para o país.Suape trabalha intensamente para se firmar como um porto concentrador de cargas ( hub port ).
Como podemos sentir,tão quanto é importante para o porto de Suape,a infra-estrutura logística no seu papel de escoar a produção agrícola e industrial pernambucana. Começa pelo volume de veículos que hoje circulam dentro do Complexo Portuário,que congestionam nos momentos de picos,as vias de acesso ao terminal portuário e as rodovias.
A malha rodoviária estadual possui 8 mil quilômetros de estradas.Desse total, apenas 3800 quilômetros são pavimentados.Nos últimos seis anos foram investidos no programa Estradas para o Desenvolvimento R$ 160 milhões.Foram concluídos 1400 dos 1600 quilômetros de estradas incluídos no programa.O Estradas para o Desenvolvimento prevê a construção de 900 quilômetros de estradas e a recuperação de outros 700 quilômetros.Além disso,pela falta de local específico para o estacionamento de caminhões, a via principal próximo ao píer, fica congestionada de veículos aguardando para carregar ou descarregar.
A malha estadual apresenta alguns trechos bastante deteriorados.Há necessidade de manter um plano permanente de conservação para as estradas.O custo da má conservação das estradas é sentido diretamente por quem é obrigado a trafegar diariamente pelas rodovias.De acordo com a Associação Brasileira dos Transportadores de Cargas- ABTC,uma estrada em condições ruins ocasiona um consumo de combustível 57% acima do normal,um aumento de 37% de custos operacionais e de 50% de acidentes.Em média, cerca de 4% do custo de transporte é devido às condições ruins de pavimentação.
Outro entrave a ser resolvido, é o da ferrovia.Existe uma linha férrea interna no Complexo Portuário,que pouco foi utilizada até a paralisação total.A Companhia Ferroviária do Nordeste-CFN é a detentora do uso das linhas locais e da Transnordestina. Há necessidade urgente de investimentos para a recuperação imediata da Linha Sul, que liga Recife a Própria(SE).Da mesma maneira, o projeto de implantação da Transnordestina torna-se imprescindível.
A melhoria das condições das estradas de ferro também é fundamental para minimizar o problema da baixa velocidade média praticada no País.Enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, a velocidade comercial média é de 40 km/h, no Brasil essa velocidade fica apenas 25 km/h.Com os investimentos é ampliar a velocidade dos trens que circulam na malha ferroviária brasileira para 30 km/h.
Com os trens rodando numa velocidade maior, a produção agrícola e industrial poderá ser escoada mais rapidamente.
O presidente da CFN Jayme Nicolato, em entrevista ao Diário de Pernambuco em 13 de julho de 2004,disse que “ com o novo traçado e posterior integração da ferrovia com a região Centro-Oeste, a Transnordestina deverá se tornar um dos principais corredores de exportação de grãos do País”. Ele explicou que em 2008 a Transnordestina deverá ser responsável pelo transporte de 6,6 milhões de toneladas de grãos, sendo 5,5 milhões de toneladas de soja e 1 milhão de tonelada de milho.Também se prevê o transporte de 600 toneladas de algodão,1,4 milhão de tonelada de fertilizantes e 900 toneladas de combustíveis.
Outra preocupação se refere a circulação diária de funcionários das empresas localizadas no Complexo,que envolve não somente a veículo próprio,mas a movimentação através de ônibus.No ritmo de crescimento de empregos previstos pelas atuais e novos projetos em implantação, o tráfego trará problemas de congestionamento.
O fluxo de cargas aumentará consideravelmente.Não se pode perder tempo.As empresas instaladas estão produzindo a todo vapor e as novas começam os trabalhos de montagem.É hora do Governo de Pernambucano fazer cumprir o que lhe cabe nos acordos feitos em trazer esses grandes empreendimentos.
O velho Leão do Norte começa a urgir.Pernambuco volta a ser um Estado Empreendedor, fortalecendo a economia nordestina.

Marcílio José Bezerra Cunha – Engenheiro e Administrador- Mestre em Engenharia de Produção- Consultor de Empresas e Professor Universitário-
Diretor do GELPE – www.marciliocunha.com.br




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